21 março 2021

Ex-ministros da Fazenda, economistas e agentes do mercado exigem que governo federal amplie vacinação e incentive medidas de isolamento social

Da revista Fórum, neste domingo:

 

 Por Ivan Longo
21 mar 2021 – 13:33


A narrativa de Jair Bolsonaro contra as medidas de isolamento social, que se sustenta sob o argumento de que, com restrição de circulação e serviços não essenciais fechados, o rombo econômico mataria mais que a Covid-19, foi destruída em uma carta pública, divulgada neste domingo (21), assinada por mais de 180 economistas, empresários e agentes do mercado.

Entre os signatários do documento, estão ex-ministros da Fazenda, como Marcilio Marques Moreira, Pedro Malan, Mailson da Nóbrega e Rubem Ricupero e ex-presidentes do Banco Central, como Afonso Celso Pastore, Arminio Fraga, Gustavo Loyola, Ilan Goldfajn e Pérsio Arida, entre outros.

Na carta, os economistas afirmam que a “saída definitiva da crise requer vacinação em massa da população”, mas ressaltam que o Brasil está em ritmo lento e, por isso, é preciso investir nas medidas de restrição de circulação e isolamento social.

“O quadro atual ainda poderá deteriorar-se muito se não houver esforços efetivos de coordenação nacional no apoio a governadores e prefeitos para limitação de mobilidade. Enquanto se busca encurtar os tempos e aumentar o número de doses de vacina disponíveis, é urgente o reforço de medidas de distanciamento social. Da mesma forma é essencial a introdução de incentivos e políticas públicas para uso de máscaras mais eficientes, em linha com os esforços observados na União Europeia e nos Estados Unidos”, diz um trecho do documento.

Segundo os empresários e economistas, “a controvérsia em torno dos impactos econômicos do distanciamento social reflete o falso dilema entre salvar vidas e garantir o sustento da população vulnerável”.

“A experiência mostrou que mesmo países que optaram inicialmente por evitar o lockdown terminaram por adotá-lo, em formas variadas, diante do agravamento da pandemia – é o caso do Reino Unido, por exemplo. Estudos mostraram que diante da aceleração de novos casos, a população responde ficando mais avessa ao risco sanitário, aumentando o isolamento voluntário e levando à queda no consumo das famílias mesmo antes ou sem que medidas restritivas formais sejam adotadas. A recuperação econômica, por sua vez, é lenta e depende da retomada de confiança e maior previsibilidade da situação de saúde no país. Logo, não é razoável esperar a recuperação da atividade econômica em uma epidemia descontrolada”, sentenciam.

Os signatários também defende programas sociais e incentivos à pequenas empresas e elencam 4 “medidas indispensáveis de combate à pandemia”: acelerar o ritmo da vacinação; incentivar o uso de máscaras; implementar medidas de distanciamento social e criar mecanismos de coordenação do combate à pandemia em âmbito nacional.

O texto ainda contém críticas indiretas a Jair Bolsonaro. “Apesar do negacionismo de alguns poucos, praticamente todos os líderes da comunidade internacional tomaram a frente no combate ao Covid-19 desde março de 2020, quando a OMS declarou o caráter pandêmico da crise sanitária. Informando, notando a gravidade de uma crise sem precedentes em 100 anos, guiando a ação dos indivíduos e influenciado o comportamento social”, diz um trecho.

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