31 março 2021

Lais/UFRN recomenda 'toque de recolher' na Páscoa e volta às aulas em formato híbrido

Um grupo de cientistas do Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (LAIS/UFRN), que integra o comitê científico, recomenda que o Governo do Estado prorrogue, até o próximo domingo (4), o atual decreto estadual com medidas rígidas de isolamento e cuja validade se encerra na sexta-feira (2). 

Os especialistas publicaram uma série de recomendações na noite dessa segunda-feira (29). Dentre elas, está o toque de recolher integral de 48 horas no próximo fim de semana, das 5h do sábado (3) até 5h da segunda-feira (5). De acordo com os cientistas, a medida visa evitar as aglomerações durante o feriadão da Semana Santa em todo o território potiguar. 

Outro ponto de destaque é que eles sugeriram o retorno às aulas em formato híbrido. “Após a Páscoa, deve ser iniciado o retorno às aulas em formato híbrido com 50% da capacidade para as atividades presenciais”. E ainda acrescentaram: “O Estado e todos os municípios precisam, urgentemente, discutir o retorno às aulas das escolas públicas, pois essas são as mais afetadas durante todo o curso da pandemia. As crianças e os adolescentes mais pobres do estado já foram bastante impactados pela falta das aulas presenciais, aspecto esse que poderá ampliar ainda mais a desigualdade social no RN”.

Análise

No relatório, os cientistas analisam os efeitos do decreto estadual com medidas mais rígidas de isolamento social. “A redução dos pedidos de internações em leitos covid-19 pode ser um indicativo positivo do decreto estadual publicado em conjunto com o município de Natal/RN e, também, dos decretos de Parnamirim/RN, São Gonçalo/RN e Ceará-Mirim/RN, os quais seguiram o decreto estadual ou impuseram um decreto ainda mais rigoroso. Esse fator, provavelmente, vem contribuindo para mitigar os efeitos da transmissibilidade e das internações na Região Metropolitana de Natal/RN”, disse um trecho do documento.

Os especialistas também constataram uma redução dos óbitos em fila de espera de internamentos, na comparação da média dos últimos sete dias com a média de óbitos diários em fila de espera ocorridos no mês de março do ano corrente. “A média de óbitos diários na fila de espera por internação em leitos covid-19 do mês de março é igual a 5,46, enquanto a média dos últimos sete dias é igual a 4,85. Os dois maiores picos de óbitos na lista de espera ocorreram em um único dia, e, somente nos dias 16 e 18 de março, morreram 28 pessoas aguardando o internamento, ou seja, foram a óbito sem ter acesso a uma assistência adequada”, explicou.

E ainda acrescentaram: “Apesar de os dados apontarem para uma possível redução dos óbitos em fila de espera para internação em leitos covid-19, o que é um dado positivo, a média de óbitos diários nessa fila ainda é alarmante, pois ela é, isoladamente, a título comparativo, maior que a média de todos os óbitos diários observados durante o mês de outubro de 2020. Um aspecto positivo a ser destacado é que, depois dos dois picos de óbitos registrados nos dias 16 e 18 de março de 2021, houve queda importante desse número. Isso, provavelmente, ocorre em função do aumento significativo do número de leitos em toda rede covid-19 do RN, fator que aumenta o giro de leitos e amplia o acesso oportuno, mesmo ainda havendo um alto número de pacientes na lista de espera”. 

Para os cientistas, com base nas análises realizadas, “é possível afirmar que a situação de saúde do estado, em virtude da pandemia, ainda é considerada grave. Todavia, já é possível observar, em todo o RN, uma redução dos pedidos por internação em leitos covid-19”. No entendimento dos analistas, essa dinâmica já pode ser reflexo dos primeiros impactos positivos do último decreto publicado. E alertaram:

“Como os resultados, neste momento, ainda são lentos, não é possível falar, agora, em relaxar as medidas sanitárias, ao menos até a Páscoa. É necessário ter uma maior clareza quanto à sustentabilidade na redução das solicitações de internações por covid-19 por um prazo maior de dias, com o propósito de poder orientar de maneira mais segura as autoridades públicas do estado no que diz respeito ao relaxamento das medidas impostas no último decreto”.

Confira todas as recomendações dos cientistas do Lais/UFRN: 

1) O atual decreto do estado deve ser mantido até o final da semana da Páscoa (04/04/2021)

2) Implantar, no sábado e no domingo de Páscoa, toque de recolher de 48 horas, iniciando-se às 5h da manhã do sábado (03/04/2021) até às 05h da segunda-feira (05/04/2021)

3) Após a Páscoa, deve ser iniciado o retorno às aulas em formato híbrido com 50% da capacidade para as atividades presenciais

4) O Governo do Estado e os municípios devem apresentar um plano de retomada gradual das atividades econômicas

5) Os educadores físicos, por serem profissionais de saúde, devem ser incluídos na lista de vacinação já nas fases prioritárias, pois esses têm um papel social importante e muitos deles estão expostos em academias e também porque trabalham com a população considerada de risco

6) As Pessoas com Síndrome de Down devem ser priorizadas na vacinação, pois há comprovação científica de que estes fazem parte do grupo de risco, logo não é possível negligenciar essa população 

7) Os gestores públicos não devem investir recursos públicos em fármacos sem autorização da ANVISA, cuja bula do medicamento não conste explicitamente a indicação clínica para covid-19. Ao contrário, todos devem unir esforços em prol da ACELERAÇÃO DO PROCESSO DE VACINAÇÃO EM MASSA DA POPULAÇÃO

8) É altamente recomendado que as autoridades públicas do estado e dos municípios invistam em pesquisas clínicas para o enfrentamento a covid-19

9) As autoridades sanitárias do estado devem alertar a população que a prescrição off-label de medicamentos sem autorização da ANVISA para a covid-19 é algo desaconselhado pela Associação Médica Brasileira. Caso a indicação clínica não conste na bula do medicamento, o paciente deve ser informado de que se trata de um método terapêutico experimental, uma vez que não há evidências científicas de que o mesmo tenha ação profilática e/ou terapêutica contra a covid-19. Além disso, o paciente deverá ser informado de que é preciso manter o distanciamento social adequado, usar máscaras, fazer higienização frequente das mãos com água e sabão ou álcool 70%

10) Diante dos resultados apresentados em estudos científicos amplamente divulgados e revisados por pares sobre o uso indiscriminado e da automedicação utilizando Ivermectina, Cloroquina e Hidroxicloroquina, é fundamental que o Governo do Estado e demais municípios elaborem um plano de comunicação voltado para população em geral alertando sobre os riscos do uso desses medicamentos

11) O Estado e todos os municípios precisam, urgentemente, discutir o retorno às aulas das escolas públicas, pois essas são as mais afetadas durante todo o curso da pandemia. As crianças e os adolescentes mais pobres do estado já foram bastante
impactados pela falta das aulas presenciais, aspecto esse que poderá ampliar ainda mais a desigualdade social no RN.

 

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