11 dezembro 2018

ENTREVISTA: “Queremos imprimir o selo da inclusão na educação pública”, diz futuro secretário Anunciado por Fátima no dia 29 de novembro,

Getúlio Marques só recebeu no fim da última semana as informações financeiras e administrativas da atual gestão. José Aldenir / Agora RN
Getúlio Marques: 'Estamos verificando os contratos terceirizados e os investimentos na construção de novas escolas'

O futuro secretário de educação do Rio Grande do Norte, Getúlio Marques, defende o aumento da rede de educação integral e no ensino profissionalizante para melhorar os índices de ensino das escolas públicas estaduais. Ele também aposta na integração entre a pasta e as prefeituras potiguares para o fortalecimento da rede fundamental de ensino público.

Anunciado para a pasta pela governadora eleita Fátima Bezerra no dia 29 de novembro, ele só recebeu no fim da última semana as informações financeiras e administrativas da atual gestão da educação. Apesar de o atual governo ter 15 dias para entregar os dados após a formação da equipe de transição, que ocorreu em 31 de outubro, a documentação sobre as finanças da educação estadual só foi entregue no último dia 4 de dezembro.

Em entrevista para o jornal Agora RN, Getúlio Marques, que é professor aposentado do IFRN e que também coordenou o processo de concepção, criação e expansão dos Institutos Federais por todo o país, reforça que a Secretaria Estadual de Educação (SEEC) que imprimir um “selo de inclusão” dentro das unidades de ensino da rede estadual.

Veja a entrevista:

Jornal Agora RN – O senhor já teve acesso às informações sobre a situação financeira e administrativa da pasta de educação?

Getulio Marques – A partir da formação da equipe de transição, o governo teria 15 dias para apresentar documentos. Isso seria importante para que, logo em seguida tivéssemos uma conversa com os responsáveis pela pasta, mas só recebemos as informações esta semana, quase 25 dias após o início da transição. Nós temos alguns grupos de trabalho que estão debruçados na análise, com foco nas questões orçamentárias. Estamos verificando os contratos terceirizados, os investimentos em novas escolas, contratos temporários e demais gastos da educação.

JAR – Independente da falta de informações sobre a situação da pasta, já há algum plano de ação para o início de 2019?

GM – O plano de ação mais conciso só vai acontecer com todas as informações sobre a pasta mapeadas. Mas, em razão do cumprimento do nosso plano de governo, minha prioridade será a elevação dos indicadores da educação, como o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Os resultados do Rio Grande do Norte mostram que o ensino médio estagnou. Houve um crescimento da nota de 2,8 para 2,9, mas ainda estamos longe da nossa meta que é de 3,8.

JAR – Como a Secretaria de Educação pretende atacar a questão da evasão escolar?

GM – Queremos imprimir o selo da inclusão na educação pública do Rio Grande do Norte. Há muitos jovens fora da sala de aula, que abandonaram a escola por algum motivo. O fato é que temos um grande índice de evasão escolar. A Secretaria de Educação vai criar uma ‘rede de proteção social’ para unir educação, esporte, cultura, segurança, saúde e área de ciência e tecnologia. Vamos trazer os alunos de volta para a escola e com melhor desempenho. O objetivo é sair desta posição desconfortável. Vamos trabalhar para melhorar a rede educação profissional. O objetivo é fornece ferramentas para inclusão social, reduzindo a criminalidade, na medida em que os jovens sejam atraídos para a educação. Queremos fazer parcerias com diversas instituições, como o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN), para fornecer este tipo de formação profissional. Nossa satisfação será o de saber que o jovem tem prazer de ir à escola.

JAR – Como avalia a nova Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para o ensino médio?

GM – Eu tenho muitas críticas ao texto da nova base curricular do ensino médio. O nível de discussão para a formatação foi baixo. Foi, praticamente, uma imposição de cima para baixo. Mas isso não significa que vamos de encontro ao que definido, pois não somos irresponsáveis. Vamos analisar e adaptar da melhor para os estudantes do Rio Grande do Norte. A nova base transformou equação das horas obrigatórias. Das 2,4 mil horas que nós temos hoje, 1,8 mil deverão ser guiadas pela BNCC, retirando disciplinas importantes como
filosofia e sociologia. Além disso, o texto não se importa com a visão criativa do aluno.

JAR – Como será a relação da Secretaria de Educação com a Universidade do Rio Grande do Norte (UERN)? A atual secretária de educação [Cláudia Santa Rosa] se mostra favorável da federalização da instituição, como o senhor vê isso?

GM – A UERN é a maior formadora de profissionais para a área de educação. Acredito que a instituição precisa ser fortalecida. Uma UERN forte nos dará condições de melhorar toda a educação. Eu sou contra a federalização da universidade. Não existe possibilidade alguma de que isso aconteça. Queremos fortalecê-la. E se alguma região do Estado necessita de um campus universitário, nós vamos tentar levar a estrutura da UERN até lá. Temos restrições orçamentárias, sim, mas vamos trabalhar para equilibrar as contas para iniciar a implantação dos nossos planos.

JAR – Como o senhor vê a discussão sobre o projeto de lei da “Escola sem Partido”?

GM – Eu acho que é uma excrescência. O que chamam de “Escola sem Partido” é, na verdade, a “Escola com Partido de Direita”. A educação é democracia e discussão de ideias. Nosso objetivo será o de garantir a pluralidade de ideias em sala de aula.
 
Fonte: Agora RN

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