16 setembro 2018

Erros e acertos de Fernando Haddad no Jornal Nacional. No final, "o tiro saiu pela culatra"!


Agencia Lupa

Na noite da sexta-feira (14), Fernando Haddad, candidato do PT à Presidência da República, foi entrevistado pelo Jornal Nacional, da TV Globo. A Lupa checou algumas de suas falas.

A assessoria de imprensa de Haddad foi avisada sobre as checagens da agência e poderá enviar seus comentários para esta reportagem a qualquer momento. Veja a seguir o resultado da verificação:

“[Em 2016] o PSDB era de santos, o PMDB era de santos, o PP era de santos”
Fernando Haddad, candidato à Presidência da República pelo PT, em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, no dia 14 de setembro de 2018

FALSO

Ao ser questionado sobre de sua não reeleição, Haddad afirmou que, em 2016, só o PT era alvo de denúncias e notícias negativas. Em suas palavras, o PT tinha virado “o demônio do país”.

No período eleitoral de 2016, no entanto, já era pública a primeira “Lista do Janot”, como ficou popularmente conhecida a lista de políticos que a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu que fossem investigados por suposto envolvimento nos esquemas descobertos na Operação Lava Jato. A PGR, à época comandada por Rodrigo Janot, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de inquérito contra 47 políticos, sendo sete deles do MDB, 32 do PP e um do PSDB. Ainda completavam a lista seis parlamentares do PT e um do PTB.

Procurado, Haddad não retornou.

“[O Brasil tinha] 4,9% de desemprego em dezembro de 2014”
Fernando Haddad, candidato à Presidência da República pelo PT, em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, no dia 14 de setembro de 2018

VERDADEIRO, MAS

Segundo a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), do IBGE, a taxa de desemprego no mês de dezembro de 2014 foi de 4,3%, um pouco menor do que total citado por Haddad. A taxa média anual foi de 4,8%.

Mas vale destacar que essa pesquisa foi descontinuada em fevereiro de 2016 e substituída pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PnadC), que tem metodologia distinta. Entre janeiro de 2012 e fevereiro de 2016, as duas foram realizadas paralelamente. Na edição da PnadC do último trimestre de 2014, a taxa de desemprego no país era de 6,5%, a segunda menor da série iniciada em 2012.

“Tasso Jereissati falou: ‘nós cometemos três erros: (…) questionamos o resultado eleitoral (…). Aprovamos uma pauta em que nós não acreditávamos para prejudicar o PT (…). Embarcamos no governo Temer”
Fernando Haddad, candidato à Presidência da República pelo PT, em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, no dia 14 de setembro de 2018

VERDADEIRO

Em entrevista concedida ao jornal O Estado de S. Paulo no dia 13, o presidente do PSDB, Tasso Jereissati, disse o seguinte: “O partido cometeu um conjunto de erros memoráveis. O primeiro foi questionar o resultado eleitoral. (…) O segundo erro foi votar contra princípios básicos nossos, sobretudo na economia, só para ser contra o PT. Mas o grande erro, e boa parte do PSDB se opôs a isso, foi entrar no governo Temer”. Ele afirmou, ainda, que os “problemas” de Aécio foram também “a gota d’água”.


“Entreguei [a Prefeitura de São Paulo] com R$ 5,5 bilhões em caixa e R$ 2,2 bilhões para pagar”
Fernando Haddad, candidato à Presidência da República pelo PT, em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, no dia 14 de setembro de 2018

VERDADEIRO

O Relatório anual de fiscalização das contas mostra que o caixa bruto da Prefeitura de São Paulo era de R$ 5,34 bilhões no final de 2016, quando Haddad concluiu sua gestão. As despesas que deveriam ser quitadas em curto prazo somavam R$ 2,19 bilhões.

*Ao contrário dos demais candidatos à Presidência que falaram ao Jornal Nacional – entre os dias 28 e 31 de agosto -, Fernando Haddad não foi entrevistado pelo Jornal das 10, da Globonews.




O editor não vota no PT.

Todavia registra, por dever de justiça, que o candidato Haddad foi submetido ontem à noite no Jornal Nacional, a um processo de tortura e intolerância, nunca visto no telejornalismo brasileiro.

Quem acompanhou poderá confirmar, ou não essa afirmação.

A entrevista, a forma como eram feitas as perguntas, a fisionomia dos entrevistadores, a contestação velada ao que era respondido, tudo se assemelhou ao estilo inquisitorial de Tomás de Torquemada, um dos mais temíveis representantes da Inquisição na Idade Média.

O telespectador assistiu o anti-jornalismo, que não se justifica ter sido exibido na rede Globo, inegavelmente uma empresa premiada internacionalmente e de qualidade inequívoca, por mais contestada que seja.

Resultado: a rede Globo quis destruir de véspera um candidato e ele, talvez, agredido e sem ter oportunidade de responder o que lhe foi perguntado, terminou ganhando votos.

Como não petista, lastimo que o resultado tenha sido esse.

O tiro saiu pela culatra!

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