05 maio 2018

Governador do RN, Robinson Faria se articula para ter mais de 10 partidos no seu palanque em 2018

Pelo menos 13 partidos abriram negociação com o governador, entre eles PRB e PTB que já receberam cargos na máquina administrativa. Robinson Faria também deseja ter o apoio da prefeita de Mossoró, segundo maior colégio eleitoral do Estado, e do PSDB
Governador Robinson Faria faz contas políticas para tentar viabilizar reeleição

Por César Santos - JORNAL DE FATO

“Tenho até o final de junho e início de julho para decidir.” A resposta dada com frequência pelo governador Robinson Faria (PSD) sobre a sua candidatura à reeleição não se sustenta na articulação que ele está conduzindo nos bastidores da política e da sucessão estadual. Robinson tem se dedicado diariamente à formação de um frente de partido e de uma base política capaz de sustentar o seu palanque nas eleições deste ano.

A prova disso está na caneta do próprio governador, que tem sido usada em atos de nomeação de indicados por novos aliados. O Diário Oficial do Estado desta quinta-feira, 3, por exemplo, publicou a nomeação do advogado Renato de Souza Cavalcanti Marinho para o cargo de secretário do Desenvolvimento Econômico. Em troca, Robinson receberá o apoio do PTB, que é presidido no estado por Getúlio Batista. Foi o líder petebista que indicou Renato para assumir o comando do Desenvolvimento Econômico, pasta que era ocupada pelo empresário Flávio Azevedo.

O PTB ainda indicará oito cargos na estrutura do Estado, todos já devidamente reservados pelo governador. Getúlio Batista, que era um aliado dos Alves, inclusive, chegou à presidência do partido por indicação do deputado federal Walter Alves, não assume as tratativas feitas com o governador e apenas diz que o PTB se posicionará na hora certa.

Antes, Robinson havia entregado o controle da Ceasa ao PRB, depois de negociar o apoio da sigla com o suplente de deputado federal Abraão Lincoln. Também cuidou de atender novos aliados em cidades importantes, onde a sua presença política é tímida. Na semana passada, em Mossoró, o governador trocou os ocupantes de cargos na área da saúde. No Hemocentro, Robinson tirou o bioquímico Samuel Sávio de Oliveira da chefia do Departamento de Hematologia para colocar o bacharel em Direito Dener Kallil, um jovem de pouco ou quase nenhum conhecimento na área, mas que foi indicado pelo pai, ex-vereador Daniel Gomes, agora na base de apoio do governador.

GRUPO DOS 13


O fatiamento da estrutura administrativa vai continuar e ganha velocidade à medida que se aproxima o período das convenções partidárias, em que se formam as alianças e definem candidaturas. O PPS, do ex-deputado estadual Wober Júnior, é outro que negocia espaço do governo em troca de apoio. Wober quer o controle da Fundação José Augusto, que sofreu baixa já pouco mais de um mês, quando a professora Isaura Amélia, irmã do presidente estadual do PP, ex-deputado federal Betinho Rosado, pediu exoneração por questões políticas.

Além do PTB, PRB e PPS, o governador está negociando com outros sete partidos, de menor densidade eleitoral, mas que se insere dentro do processo de construção de palanque. Robinson acredita que poderá com o PMN, PTC, PMB, PRP, PRTB, Avante, PSL e patriota. Eles se somariam com o PSD, do próprio governador, na formação do “Grupo dos 13”.

A intensidade das negociações, porém, não faz o governador mudar de discurso. Ele está sempre repetindo que o momento é de cuidar do Estado, de tirar o Rio Grande do Norte da crise, e que só vai decidir sobre candidatura no final de junho ou início de julho.

Os bastidores dizem o contrário.

ROBINSON QUER APOIO DA PREFEITA DE MOSSORÓ


Além dos partidos com reconhecimento de pouca densidade eleitoral que estão na lista do “Grupo dos 13”, o governador Robinson Faria também sonha com um apoio de impacto e não nega esse desejo: “Gostaria, sim, de ter o apoio da prefeita Rosalba Ciarlini.”

Em entrevista ao “Cafezinho com César Santos” publicada no JORNAL DE FATO e no defato.com, Robinson enalteceu as qualidades da ex-governadora e da prefeita de Mossoró no quarto mandato. “É uma liderança de respeito e uma parceria administrativa nossa. Temos várias ações na cidade que são feitas em parceria do Governo com a Prefeitura”, comentou.

O desejo de Robinson, porém, enfrenta obstáculos. O principal dele foi a crise aberta quando o filho do governador, deputado federal Fábio Faria (PSD), tentou tirar o PP do comando do rosalbismo, em articulação com o comando nacional dos Progressistas. A resposta veio de imediato: além de segurar o PP, junto ao presidente nacional, senador Ciro Nogueira, o ex-deputado federal Beto Rosado, presidente estadual e cunhado de Rosalba, devolveu o comando da Fundação José Augusto, que era ocupada pela professora Isaura Amélia Rosado, sua irmã.

Depois, Fábio e Robinson negaram que tivessem a intenção de tomar o PP do rosalbismo, no entanto o grupo da prefeita de Mossoró não se convenceu. Como se sabe, o PP tem o segundo melhor tempo de televisão, por isso, é um partido desejado por todos. O governador gostaria de tê-lo em seu palanque.

No passado recente, Rosalba e Robinson foram aliados. Nas eleições de 2010, eles formaram chapa vitoriosa ao Governo do Estado. Menos de um ano de Rosalba governadora, o vice-governador Robinson rompeu as relações políticas e administrativas, e na campanha de 2014 foi eleito governador fazendo críticas contundentes à gestão Rosalba.

A prefeita Rosalba, por sua vez, tem dito que não vai decidir agora sobre as eleições deste ano. No momento, a única certeza é que ela tentará eleger o filho Kadu Ciarlini (PP) à Assembleia Legislativa e apoiará a candidatura à reeleição do deputado federal Beto Rosado (PP), filho do seu cunhado Betinho.

Rosalba também é “paquerada” pelo grupo Alves, que levará às ruas a candidatura do ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo ao Governo do Estado. Outra possibilidade que não pode ser descartada é o apoio da prefeita de Mossoró à candidatura da senadora Fátima Bezerra (PT) ao Governo.

PSDB TAMBÉM ESTÁ NO 'RADAR' DO GOVERNADOR


Outra alternativa de apoio ao projeto de reeleição do governador Robinson Faria é o PSDB, presidido no Rio Grande do Norte pelo deputado Ezequiel Ferreira de Souza, que também é presidente da Assembleia Legislativa. As negociações foram abertas no final do mês passado, quando houve uma reunião em São Paulo, com a participação do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, e o presidenciável tucano Geraldo Alckmin. Como PSDB e PSD desejam aliança em nível nacional, eles entendem que poderia se repetir no RN.

Mas, Ezequiel tratou de conter a empolgação. “Só vamos definir alianças em junho”, disse, ao sair da reunião, que contou com a presença do deputado federal Rogério Marinho, presidente de honra do PSDB potiguar.

O ninho tucano ganhou musculatura com oito deputados estaduais, um deputado federal, 33 prefeitos e vice-prefeitos, mais de 100 vereadores e 137 diretórios municipais. Com essa formação, forte, os tucanos acreditam que podem emplacar espaços importantes nas chapas majoritárias e proporcionais, por isso, se valorizam na mesa de negociação.

O PSDB lançou a pré-candidatura do ex-governador e ex-senador Geraldo Melo ao Senado Federal e tem apoiado a caminhada do vice-governador dissidente Fábio Dantas (PSB) para se viabilizar a candidato a governador.

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