27 fevereiro 2018

Governo demonstra total indisposição para iniciar negociação com servidores da UERN




ADUERN, Sintauern, DCE, Reitoria e representantes dos comandos de greve técnico e docente, participaram, na manhã de hoje (26) de audiência com o Governo do Estado, que novamente afirmou não ter nenhuma proposta para os servidores e servidoras, que amargam o atraso no pagamento dos salários de Janeiro, Fevereiro e do 13º de 2017.

Para a chefa de Gabinete do RN, Tatiana Mendes Cunha, não há nenhum motivo para que os servidores da UERN estejam em greve, uma vez que a situação caótica do estado tem atingido todas as outras categorias e que o tratamento relegado à universidade não é diferente do que outros trabalhadores e trabalhadoras do funcionalismo público estadual vêm recebendo.

“Não há nenhum tratamento diferenciado com a UERN, ela está recebendo nos mesmos moldes que outras categorias à exceção da segurança, que teve tratamento diferenciado. A saúde está sendo paga graças a um recurso federal, que tem garantido os salários dos ativos em dia. A educação básica tem recebido graças aos recursos do FUNDEB. Faço esta reunião como um apelo para que a UERN acabe com esta greve. Não concordamos que haja motivos para continuar um movimento deste por tanto tempo. Ninguém deve ficar tanto tempo sem trabalhar” afirmou a Secretária.

A presidenta da ADUERN, Rivânia Moura rebateu a fala de Tatiana lembrando que nenhum trabalhador, de qualquer categoria, pode ser obrigado a trabalhar sem receber salários. Rivânia destacou o documento conjunto elaborado pela Reitoria ADUERN, SINTAUERN e DCE que demonstra a preocupação e a responsabilidade com a Universidade bem como a disposição para o diálogo com o governo. Ressaltou que o apelo deve ser feito para o governo e que não há possibilidade de encerrar o movimento grevista sem que haja uma proposta coerente para os servidores da universidade.

O Presidente do SINTAUERN, Elineudo Melo, rebateu o apelo feito pela chefa de gabinete mostrando que diariamente recebe apelo dos técnicos da universidade, que, em função dos atrasos salariais tem tido dificuldades para garantir necessidades básicas como transporte e alimentação.

“Não pensávamos que estaríamos hoje lutando para receber nossos salários. Nossa expectativa era que receberíamos janeiro e fevereiro em dia. Não vamos sair daqui e pedir para a categoria voltar a trabalhar sem seus salários, temos servidores que estão pagando para trabalhar” destacou o Presidente do Sintauern, Elineudo Mello.

A estudante Glisiany Plúvia, que preside o DCE da UERN, foi enfática em afirmar que os estudantes querem o fim do movimento grevista, mas que isso não pode acontecer antes que os salários dos servidores sejam pagos e as bolsas estudantis sejam garantidas. Ela lembrou que a luta em defesa da universidade é cotidiana e o descaso do Governo é um verdadeiro inimigo para o funcionamento da instituição.

“Eu queria estar estudando. Não queria estar numa reunião com um Governo que não apresenta nenhuma proposta. Quem estuda na UERN sabe que lutamos cotidianamente por uma série de coisas: condições de estudo, melhorias na estrutura, bolsas estudantis em dia, segurança. Como o Governo diz se preocupar com a greve e os impactos dela no SISU se não apresenta nenhuma alternativa que resolva esta crise?” questionou a Presidenta do DCE Glisiany Pluvia

O Reitor da UERN, Perdro Fernandes, também foi taxativo na defesa do movimento grevista. Ele lembrou que em algum momento tentou dialogar com as categorias para que o movimento fosse encerrado, mas a crise se tornou tão aguda e agressiva na vida dos servidores da UERN, que é impossível retornar aos postos de trabalho sem nenhuma proposta para as categorias.

“ Em algum momento chegamos a pedir o fim da greve, mas não tem como. É impossível chegar para os professores e para os técnicos e pedir que voltem a trabalhar sem nenhuma proposta que coloque os salários em dia. Não tem como pedir que um servidor trabalhe sem receber. Esperamos a sensibilidade do Governo para que encontre uma alternativa para esta situação” destacou o Reitor Pedro Fernandes, lembrando que foi enviado um ofício unificado dos segmentos da universidade ao Governo cobrando uma proposta que resolva a crise.

Participaram da audiência também, o dirigente do Sindicato Nacional dos Docentes das Insituições de Ensino Superior (ANDES), Josevaldo Cunha, os parlamentares Larissa Rosado (PSB) e Souza Neto (PHS) além de representantes da equipe administrativa da UERN. Todos fizeram intervenção no sentido de tentar encontrar junto ao governo uma proposta para que as categorias em greve possam avaliar.

Repasse sindical – A presidenta da ADUERN, Rivânia Moura, aproveitou a audiência para cobrar o repasse das consignações sindicais da ADUERN, atrasados há 4 meses ( novembro, dezembro, janeiro e fevereiro). O Governo vem descontando as porcentagens dos salários dos sindicalizados e não envia os valores para as contas do sindicato.

O secretário de finanças, Gustavo Nogueira, afirmou desconhecer os reais motivos para o atraso dos repasses. Ele disse que o Governo tem tentado manter em dia este compromisso e que buscaria maiores informações para solucionar essa questão.

Aposentados – O secretário de administração Christiano Feitosa, explicou que para o Governo os aposentados da UERN, bem como os inativos de todas as categorias do funcionalismo público estadual, devem ser levados para o IPERN, que é o sistema único de previdência do Estado. Para o secretário, a mudança não vai alterar o direito dos aposentados, inclusive no que diz respeito ao auxílio saúde. Para a ADUERN, a justificativa não é convincente e desrespeita uma importante reivindicação da categoria.

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