07 setembro 2017

Bom exemplo: Filho de assentados cola grau em Medicina na UERN


Caio da Fonseca Silva viu na educação uma alternativa para transformar a sua vida e de sua família (Foto: Rodrigo Oliveira).

“Eu não acreditava que chegaria a esse momento”, declara o estudante de Medicina da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), Caio da Fonseca Silva, de 28 anos, sobre a sua colação de grau, que ocorreu quarta-feira, 06. A expressão remete à sua difícil trajetória até conquistar o tão desejado diploma de graduado.

Filho de assentados, Caio da Fonseca Silva viu na educação uma alternativa para transformar a sua vida e de sua família. “Trabalhávamos com meu pai na agricultura, no Projeto de Assentamento Quixaba. Meu irmão (que é formado em Direito, também pela UERN) foi o primeiro da família a se ater para os estudos. Inspirado nele, também decidi trilhar por esse caminho”, relata.

As dificuldades em seguir com os estudos foram muitas, antes mesmo de ingressar na faculdade. Por muitas vezes, ele percorreu de bicicleta 22 quilômetros do assentamento Quixaba até a escola onde cursava o Ensino Médio para não perder aula. “Foi então, que decidi vir para Mossoró. Vim morar na Casa do Estado de Mossoró, onde fiquei por cinco anos”, afirma o discente.

Quando concluiu o Ensino Médio, Caio da Fonseca não prestou vestibular de imediato. “Infelizmente, o ensino público deixa muito a desejar e para se tornar competitivo para o curso que eu desejava, tive que estudar por alguns anos para ter base para passar. Estudava em média 16 horas por dia”, lembra Caio. Segundo ele, como estudava bastante, conseguiu uma boa base em disciplinas como química e física, e passou a dar aulas de monitoria em cursinhos da cidade, e em troca, os proprietários dos cursinhos permitiam que ele assistisse aulas em disciplinas que tinha mais dificuldades, como português e redação. “Isso me ajudou muito”, diz. (Foto: Rodrigo Oliveira).

Em 2010, Caio passou em Medicina. Os seis anos de graduação foram tão ou mais difíceis do que o período do Ensino Médio. “Foi difícil, foi muito sofrido. Minha família tinha a maior boa vontade, me incentivava, mas infelizmente, não tinham como me ajudar na questão financeira. Por mais que a UERN seja uma instituição pública, se manter no curso requer muitos gastos, com livros, material, xerox”, declara. Ele lembra que muitos professores da Faculdade de Ciências e Saúde o ajudaram, inclusive financeiramente.

“Como minha família é do assentamento Quixaba, tinha que conseguir moradia aqui em Mossoró. A ideia era ir para a Residência Universitária, mas mesmo na residência ficava pesado para arcar com alimentação e o transporte para ir à Faculdade. Então, uma pessoa da faculdade e pessoas de fora me ajudaram a pagar aluguel em uma residência perto do curso e assim consegui levar. Sinceramente, em algumas situações eu achava que não ir conseguir”, relata o estudante.
Ontem,  ao  receber o diploma em Medicina, Caio da Fonseca Silva relembrou  com emoção toda sua trajetória. “Ainda não caiu a ficha, acho que só vou acreditar quando tiver o diploma em mãos. Não existem palavras para descrever a felicidade que eu tenho, principalmente em ver a felicidade dos meus pais em ver mais um filho formado”, diz o graduando. As suas metas agora são trabalhar para estruturar a sua vida e de sua família, e até o final do próximo ano prestar residência para neurocirurgia.

Para ele, a UERN foi um divisor de águas em sua vida. “Sempre sonhei em estudar na UERN, sempre me via estudando aqui, na FACS. A Faculdade de Medicina me tornou uma outra pessoa. Vivi muitas coisas aqui, e hoje sou uma pessoa mais humana, muito melhor. Devo muito do que eu sou aos meus professores e ao corpo de servidores da instituição. Vou levar a UERN comigo para onde for”, finaliza.

Da Agência de Comunicação da UERN.

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