31 agosto 2017

Professores da UERN decidem sobre nova greve nesta sexta


Professores da UERN decidem sobre nova greve nesta sexta

Os professores da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) decidirão na próxima sexta-feira, 1, se iniciam ou não um movimento grevista. A categoria reivindica a regularização dos salários, o estabelecimento de um calendário de pagamento, um reajuste salarial de 7,64%, além da aprovação do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) e do auxílio saúde.

Em reunião realizada na última sexta-feira, 25, a secretária-chefe de Gabinete do Governo do RN, Tatiana Mendes, declarou que não há como atender o pleito quanto ao calendário de pagamento e ao reajuste salarial, diante do atual cenário de crise econômica enfrentada pelo estado.

O secretário de planejamento e de finanças, Gustavo Nogueira, foi ainda mais enfático: “se vocês (professores) quiserem parar é um direito de vocês, mas uma greve nesse momento não terá o poder de modificar o cenário econômico do Estado”, disse, ressaltando a impossibilidade de atender à reivindicação dos servidores quanto à questões salariais.

Gustavo Nogueira relatou ainda as dificuldades do Estado em quitar a folha de pessoal e as alternativas que o Governo está buscando para regularizar o salário dos servidores estaduais, não apenas da UERN. “Nenhum Governo atrasa salário porque quer! É um desgaste, que Governo nenhum acha interessante. Estamos fazendo o possível para regularizar a folha, mas não é uma tarefa fácil. Não apenas o RN, mas vários estados estão em dificuldades financeiras devido à crise econômica”, disse.

Diante da atual conjuntura, os estudantes estão apreensivos quanto aos efeitos de uma possível greve prolongada nesse momento. A estudante Luana Maria, do curso de Serviço Social, que esteve na reunião com membros do Governo na última sexta-feira, afirma que compreende a difícil situação enfrentada pelos professores e técnicos com os atrasos salariais, no entanto, para ela, uma greve não seria a melhor opção.

“Já passamos por uma greve de cinco meses recentemente, o que atrasou todo o curso. Uma outra greve agora só iria nos prejudicar ainda mais”, frisa.

Devido à última greve que durou cinco meses, a maior da história da UERN, o calendário acadêmico está em processo de ajuste e a previsão é que sejam necessários quatro anos para poder regularizá-lo, caso não haja uma nova paralisação.

“A cada ano decorrido nós conseguimos ajustar um mês de greve. Nós estamos com déficit de quatro meses. Se não tiver greve, a perspectiva da Proeg é que o calendário acadêmico se ajuste em quatro anos. Havendo greve, e dependendo da extensão dela, nós voltaremos ao estágio anterior, com a necessidade de novo ajusto. Então, o prazo para regularização será de cinco anos se for um mês de greve, seis anos, se forem dois meses, e por aí vai”, explica a pró-reitora de Ensino e de Graduação, Inessa Linhares.

A irregularidade no calendário acadêmico afeta diretamente os estudantes, que acabam por demorar mais do que o previsto para se formar, atrasando planos e projetos profissionais.

“Acredito que os professores, enquanto trabalhadores, têm todo o direito de fazer a greve, mas na atual situação não é nenhuma vantagem para eles, uma vez que o Governo já disse que não iria atender às reivindicações. O prejuízo para os estudantes é evidente, e sempre somos nós quem mais perdemos. Estou no oitavo período e já enfrentei duas greves, as duas maiores da história. Isso atrasou o curso. Entrei em 2013 e deveria me formar no próximo ano, mas a formatura ficou para 2019. Essa demora atrasa alguns planos profissionais”, declara o estudante Nathan Figueiredo.

Além da questão do calendário acadêmico, que afeta especialmente os estudantes que irão ingressar na Universidade e os que estão concluindo, uma paralisação nesse momento pode ainda prejudicar as negociações com o Governo do Estado quanto à aprovação do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) e auxílio saúde, bem como quanto à tramitação da proposta de autonomia financeira da UERN, cuja minuta de projeto foi aprovado na última terça-feira.
 
Fonte: Jornal O Mossoroense

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