14 agosto 2017

Educação de Qualidade exige Competência e Amor

Por Inácio Augusto de Almeida

Vamos tentar analisar o que acontece na Educação em Mossoró sem ter a pretensão de levantar todos os problemas deste importante setor para a administração.

Merenda Escolar


O absurdo que vem acontecendo na em Mossoró não é de agora. Em administrações pretéritas a falta de Merenda Escolar foi constante.

Época da Cláudia Regina o problema se acentuou e virou escândalo. Quando não faltava Merenda Escolar a servida era de tão péssima qualidade que as crianças, mesmo com fome, rejeitavam. Tempo do cuscuz com ovo ou farinha com arroz, farinha que apelidavam de paçoca.

Depois veio o Silveirinha e o que era ruim piorou.

Passou a serem servidos uns fiapos de macarrão boiando numa água fervida que chamavam de sopa. Para variar, entregavam duas bolachas mofadas e um copo de refresco feito com aromatizante. Isto quando não acontecia de nada ser servido.

No JOM constatávamos licitação de compra de filé de tilápia, queijos, massa para lasanha e outras finas iguarias para a Merenda Escolar.

A Secretária de Educação, tentando justificar a falta de MERENDA ESCOLAR, confessou na Rádio Rural que faltava merenda porque faltavam merendeiras.

Na administração Rosalba Ciarlini o quadro se agravou e a falta de Merenda Escolar é tão constante que encerram as aulas às 10 horas, suprimindo assim as duas aulas após intervalo para o recreio, o que acarreta grave perda para o aprendizado.

Comecei esta pequena análise sobre a Educação em Mossoró pela Merenda Escolar por entender que uma criança com fome não consegue aprender.

Corrigir este grave problema é fundamental para que a Educação Pública em Mossoró supere esta fase negra.

Uniforme Escolar

Em Mossoró há muitos anos não acontece entrega do UNIFORME ESCOLAR. Nem mesmo uma recomendação do MPRN de 2015 foi considerada. Tanto não foi que nada entregaram em 2015 a título de Uniforme Escolar. Em 2016 entregaram um blusa. Em 2017 nada entregaram. Difícil entender uma recomendação de o MPRN ser desconsiderada e nada acontecer.

Para mascarar a não entrega do UNIFORME ESCOLAR, exigem que os alunos compareçam uniformizados. Para isto vendem dentro das escolas blusas que arremedam as do Uniforme Escolar a R$ 15,00 e orientam os pais dos alunos a comprarem no comércio calças jeans e tênis. Fazem isto para caso chegue uma fiscalização pense que os alunos receberam o Uniforme Escolar.

Uniforme Escolar aumenta a autoestima da criança e a faz sentir-se protegida. E isto influi no seu rendimento escolar tanto quanto uma merenda de qualidade.

Não é por acaso que mais de 90% das cidades brasileiras distribuem uniforme escolar.

Material Escolar

Poucos se recordam do tempo em que os alunos das escolas municipais em Mossoró recebiam lápis, canetas, cadernos, régua, compasso etc.

Hoje apenas entregam, a título de empréstimo, livros que o MEC manda. Livros quase todos desatualizados ou tratando de uma realidade que não é a nossa.

E sem lápis, cadernos e livros adequados a Educação naufraga.

Os responsáveis sabem de tudo isto, mas se calam.

O uso de computadores nunca aconteceu nas escolas municipais por parte dos alunos. Apenas anunciaram a compra destes computadores com gastos de milhões de reais. No Colégio Evangélico nunca um aluno usou um computador em trabalho de pesquisa e jamais um pai de aluno viu um computador naquela escola. Quando se pergunta pelos computadores, desconversam.

Currículo Escolar e Direção

Adequar o currículo escolar às necessidades dos nossos alunos é preciso. Alunos que terminam o primeiro grau sem saber quais são as capitais dos estados brasileiros, mas conhecem os costumes dos povos asiáticos e africanos. Um verdadeiro banho de cultura inútil e dado nas nossas crianças. Professores que passam como tarefa de casa a construção de maquetes em gesso de castelos medievais e não falam que em Mossoró existiu uma Celina Guimarães.

Alunos a quem tentam ensinar equação sem atentar que as crianças não dominam as quatro operações fundamentais.

Criação de aulas de reforço para todas as matérias é necessário. E isto pode ser feito com custo quase zero para o município. É só uma questão de querer. O ideal seria a escola integral, mas enquanto isto não é possível, pelo menos um melhor acompanhamento dos alunos que apresentam maior dificuldade na aprendizagem.

Claro que isto nunca será conseguido com nomeação de secretária de Educação totalmente despreparada e de diretoras que são nomeadas por critério político. Já conheci em Mossoró vice-diretora sem qualificação para exercer função de bedel. O mesmo acontece com a nomeação de supervisoras.

Eleições dentro dos colégios para preenchimento destes cargos, com os professores participando com voto peso 5 e os pais e alunos com voto peso 1. Isto jamais acontecerá por razões que todos nós conhecemos.

A deficiência do ensino em Mossoró salta aos olhos de qualquer observador em virtude do grande despreparo dos escolhidos para cuidar desta área tão importante.

O uso de Assistentes Sociais no acompanhamento de alunos que apresentam problemas de relacionamento familiar é de suma importância. Mais de 25% dos alunos são oriundos de famílias desestruturadas. E são estes alunos, na sua grande maioria, que alimentarão a violência nos anos seguintes.

Mudar é preciso. E estas mudanças acontecerão obrigatoriamente. Não há como permanecer com uma educação tão deficiente como a de Mossoró.

Educação não é cabide de emprego.

Educação exige vocação, qualificação e amor.

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