22 junho 2017

Corrupção passiva: Propina da OAS para Henrique passou pela conta de Temer, aponta MPF

Agora RN

Corrupção passivaPropina da OAS para Henrique passou pela conta de Temer, aponta MPFCópias de cheques e comprovantes de transações bancárias mostram que OAS depositou R$ 5 milhões na conta do candidato a vice-presidente, dos quais R$ 500 mil seriam “carimbados” para o ex-ministro
Divulgação
Henrique e Temer

O Ministério Público Federal (MPF) concluiu que parte do dinheiro arrecadado pela campanha de Henrique Eduardo Alves (PMDB) ao Governo do Rio Grande do Norte, em 2014, teve como origem o pagamento de propina pela OAS, empresa investigada na operação Lava Jato. De acordo com os procuradores, pelo menos R$ 500 mil passaram pela conta de campanha de Michel Temer (PMDB) a vice-presidente da República.

Cópias de cheques e comprovantes de transações bancárias divulgadas pela GloboNews mostram que a OAS depositou oficialmente na campanha de Temer a quantia de R$ 5 milhões em 22 de agosto de 2014, dos quais R$ 500 mil estariam “carimbados” para Henrique. A emissão do cheque da campanha de Temer para o ex-deputado aconteceu em 10 de setembro de 2014, sendo depositado no dia seguinte pela campanha de Henrique. O número e o valor do cheque estão de acordo com o depósito feito ao diretório estadual do PMDB no RN.


A afirmação do MPF de que os recursos repassados da campanha de Temer para Henrique, que seria propina, tendo como origem recursos da OAS, confirma o que declararam os delatores Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, e o doleiro Alberto Yousseff.

O cheque de R$ 500 mil com origem em recursos da OAS não foi a única verba recebida por Henrique por meio da campanha de Michel Temer. Outro cheque, também no valor de R$ 500 mil, foi repassado do então candidato a vice-presidente para o postulante a governador. Neste caso, a origem dos recursos foram repasses efetuados pela JBS, mas não há manifestação do MPF se o dinheiro é ou não lícito.


OPERAÇÃO MANUS

Ex-ministro do Turismo no governo Temer, Henrique Alves está preso preventivamente desde o dia 6 de junho, quando foi um dos alvos da operação Manus, desdobramento da Lava Jato. Na investigação, o ex-ministro é acusado de corrupção ativa e passiva junto às empreiteiras que construíram a Arena das Dunas, em Natal, e lavagem de dinheiro.

Houve dois mandados de prisão contra Henrique. Além do expedido pela Justiça Federal do RN, que investiga justamente os desvios na Arena das Dunas, houve outro mandado pela Justiça Federal de Brasília, que apura fraudes no Fundo de Investimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FI-FGTS). Os investigadores descobriram que Henrique mantinha uma conta na Suíça, que foi movimentada também pelo deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB) para recebimento de propina.

Henrique está preso na Academia de Polícia Militar. O Ministério Público Federal pediu que ele fosse transferido para Brasília, alegando que o quartel não tem estrutura adequada para abrigar o custodiado. Além disso, o órgão considera que o ex-ministro está tendo direito a “regalias incompatíveis com o regime de prisão cautelar”, como permanência em sala com ar condicionado, acesso a mídias proibidas e visitas permanentes.

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