17 junho 2017

Assessores sugeriram texto à Temer, em que ele entregava mandato e convocaria eleições

No dia 18 de maio, antes de subir ao púlpito com o brasão presidencial para bradar que não renunciaria, Michel Temer leu uma outra versão do discurso que poderia mudar completamente o rumo da crise que engolfava seu governo após a delação da JBS.

Uma preliminar do pronunciamento, segundo a coluna Radar, da revista “Veja”, foi entregue ao presidente, sugerindo que ele entregasse o cargo e convocasse eleições gerais ainda para este ano.

A Folha apurou que a primeira versão do texto foi levada a Temer pelo secretário especial de Comunicação da Presidência da República, Márcio de Freitas, e pelo marqueteiro Elsinho Mouco.

No entanto, segundo relatos de integrantes do governo, a ideia era não dar cara de renúncia ao eventual ato do presidente, mas sim de abreviação do fim de seu mandato ou do período que o peemedebista costuma chamar de “transição”.

Procurado pela reportagem, Freitas afirmou que não conhece proposta de eleições gerais e que “não se discutiu renúncia em nenhum momento ou nenhum texto”.

Desde o dia anterior, Temer tentava traçar uma estratégia diante da divulgação de que a gravação de uma conversa entre ele e o empresário Joesley Batista revelaria que o presidente deu aval para a compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha.

Aconselhado pelo seu núcleo político, principalmente pelos ministros Moreira Franco (Secretaria-Geral) e Eliseu Padilha (Casa Civil), Temer descartou a possibilidade de fazer o discurso por eleições gerais e disse que adotaria outro tom, de enfrentamento, porque não havia cometido nenhum crime.

Márcio e Elsinho refizeram então o texto, que foi lido por Temer na tarde daquela quinta-feira (18). “Não renunciarei. Repito: não renunciarei. Sei o que fiz e sei a correção dos meu atos”, declarou.

Um dos principais aliados e conselheiros, Moreira Franco disse à Folha que “nunca existiu” uma versão diferente do texto que foi lido.

Hoje investigado por corrupção, obstrução de Justiça e formação de organização criminosa, Temer perderia a prerrogativa de foro privilegiado caso renunciasse. (Folha)

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