20 abril 2017

Sítio em Atibaia e muita mentiras: Engenheiro ajudou advogado de Lula a ocultar que Odebrecht executou reforma Armação escondeu que Odebrecht pagou reforma do sítio de Lula

Armação escondeu que Odebrecht pagou reforma do sítio de Lula

Delator diz que comprou cofre para guardar dinheiro da obra na propriedade frequentada pela família de Lula (Foto: Reprodução)

O engenheiro civil Emyr Costa, responsável pela obra do sítio de Atibaia (SP), do ex-presidente Lula, relatou à Procuradoria Geral da República (PGR) que ajudou o advogado Roberto Teixeira – amigo do ex-presidente – e o ex-dirigente da Odebrecht Alexandrino Alencar a elaborar um contrato falso para esconder que a Odebrecht havia executado a reforma da propriedade.

O delator disse ainda que comprou um cofre para guardar os R$500 mil repassados, em espécie, pela empreiteira para executar a obra do sítio. Ele usou o dinheiro para pagar, semanalmente, a equipe de engenheiros e operários e os materiais de construção da reforma do sítio.

“Eu peguei toda informação e mostrei para Carlos Paschoal (executivo da Odebrecht que era responsável pelas operações da empreiteira em São Paulo) e expliquei e disse que era necessário R$ 500 mil. Ele me autorizou a começar o trabalho e disse que ia entregar o dinheiro através dessa equipe de operações estruturadas. Ele pediu para ligar para a senhora Maria Lúcia Soares. Eu nunca tinha feito uma obra dessa natureza e comprei um cofre. Semanalmente, eu entregava R$ 100 mil. Eu recebi esse dinheiro em espécie”, contou o delator aos procuradores da República.

Então engenheiro da Odebrecht Ambiental, Costa explicou que na reunião com Teixeira e Alexandrino, ele informou que as despesas da obra seriam pagas em dinheiro vivo e que seria subcontratada uma empreiteira menor para executar o serviço. Roberto Teixeira sugeriu então que o engenheiro procurasse o empreiteiro para elaborar um contrato de prestação de serviços em nome do proprietário que aparece na escritura do imóvel, Fernando Bittar.

Diante da proposta do advogado, contou o delator, ele próprio sugeriu que fosse colocado no contrato um valor inferior aos R$ 700 mil que foram gastos na obra. Emyr Costa explicou que decidiram definir que a reforma havia custado R$ 150 mil para que ficasse compatível com a renda de Bittar.

Dono da Odebrecht, o empresário Emilio Odebrecht afirmou em depoimento, no acordo de delação premiada, que a reforma do sítio de Atibaia custou à construtora cerca de R$ 700 mil e o pedido foi feito em 2010.

A reforma do sítio de Atibaia incluiu a construção de uma casa para os seguranças da Presidência da República que atuavam na equipe de Lula, suítes na casa principal, duas áreas de depósitos para adega e quarto de empregada, sauna, conserto de vazamento da piscina e conclusão de um campo de futebol.

O Instituto Lula afirma que "o sítio não é de propriedade do ex-presidente". "Seus donos já provaram tanto a propriedade quanto a origem lícita dos recursos que utilizaram na compra do sítio", diz a nota.

O sítio está registrado também em nome de Jonas Suassuna. Ele e Bittar são sócios do filho do ex-presidente, Fábio Luis Lula da Silva.

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