22 janeiro 2017

Brasileiros preferem teoria da conspiração para morte de Teori


Por Jorge Oliveira, Diário do Poder
Barra de S. Miguel, AL - Oitenta e três por cento dos brasileiros acham que a morte de Teori Zavascki foi um atentado, segundo o Instituto Paraná de Pesquisa. E por mais que se negue, ninguém jamais vai acreditar que o homem que tinha o poder de manter os poderosos na cadeia teria sofrido um acidente, uma mera fatalidade. Para dissipar toda as dúvidas, o governo precisa se empenhar em elucidar o caso com uma investigação consistente e minuciosa que prove por a mais b que o ministro não foi assassinado pelas mãos de mercenários a serviço do crime organizado. A primeira reação da população ao acidente aéreo de Teori foi a de uma morte planejada, a exemplo do que ocorria na operação Mãos Limpas, na Itália, quando os mafiosos assumidamente explodiam juízes. Aqui, se houve um atentado, nenhuma organização jamais vai assumir porque, em matéria de crimes misteriosos, evoluímos à sofisticação inimaginável. 

Assim como você que me lê, eu também tenho dúvidas que me levam a crer na teoria da conspiração por alguns erros que se cometem em casos como esses de repercussão internacional, que poderiam ser chamados de queima de arquivo. Senão, vejamos algumas curiosidades: já que todos os passageiros foram declarados mortos, por que não esperar uma perícia especializada para remover os destroços da aeronave de modo a não se perder vestígios de um provável atentado? A exemplo do PC Farias, o local foi desfeito dificultando uma investigação científica do caso. Os pedaços do avião foram retirados do mar atabalhoadamente, sem o menor critério para um caso como esse que deixou o mundo perplexo e vai sempre suscitar dúvidas. 

Por que o ministro não era protegido por agentes federais, já que alegou diversas vezes que sofria ameaças de morte, como ele próprio revelou, e seu filho confirmou? Se estava escudado por agentes, por que eles também não embarcaram na aeronave? Como esse avião foi preparado para a viagem do ministro? Quais os técnicos aeronáuticos que deram o sinal verde para o voo? Há quanto tempo esta viagem estava programada? Quem programou e quem sabia antecipadamente desse percurso? Por que a demora em identificar o piloto, quando se sabe que a identificação é registrada na saída do aeroporto, como é de praxe? E o mais grave: por que Teori iria descansar na casa do empresário Carlos Alberto Ferreira Filgueiras, dono do avião, sócio do BTG Pactual, cujo presidente André Esteves fora solto por ele na operação Lava Jato? Se a gente for analisar o caso da morte do ministro apenas pela teoria da conspiração, muita gente poderosa e endinheirada tinha motivos para planejar um atentado contra ele. No próximo mês, Teori já havia comunicado que iria quebrar o sigilo de toda delação premiada da Odebrecht, onde seriam revelados nomes de autoridades comprometidas com a corrupção no país, a maior do que se tem notícia no mundo. O ministro, tido como casca grossa, manteve quase cem por cento todas as sentenças do juiz Sérgio Moro e não relaxou prisão de réus da Lava Jato, com exceção de André Esteves. Ao contrário de alguns de seus pares que gostam de plateia, atinha-se a forma da lei com a discrição que cabe a um integrante da suprema corte do país.

O caso em que o ministro trabalhava, o da corrupção de bilhões de reais em vários países, é um dos mais nebulosos do mundo. Envolve pessoas do mais alto quilate: empresários, políticos, presidentes e ex-presidentes; banqueiros e altos executivos de empresas estatais e privadas, muitos ainda engaioladas e sem chances de liberdade. Portanto, dinheiro não faltaria para alguém encomendar a morte do chefe de um processo como esse que até então caminhava para levar aos presídios dezenas de magnatas envolvidos com propinas.

Os mercenários estão por toda parte. Normalmente, esses grupos, veteranos de guerra, trabalham a soldo do crime. São especialistas em atentados que não costumam deixar rastros dos seus atos pela perfeição com que os cometem. Dinheiro para essas empreitadas é que não faltaria.

Se existem controvérsias quanto a morte acidental do ministro e seus acompanhantes, o governo precisa dar transparência ao caso para que não pairem dúvidas quanto à seriedade das investigações. Costuma-se, no Brasil, evocar o sigilo em processos como esses para que tudo caia no esquecimento. Os membros do Supremo Tribunal Federal não devem permitir que isso aconteça porque todos agora estão vulneráveis enquanto as investigações não chegarem a uma conclusão convincente sobre a morte de Teori.

Pela teoria da conspiração, os brasileiros já deram seu veredicto: o ministro foi alvo de um atentado. E ponto final.

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