05 novembro 2016

Enem 2016: Crise, refugiados, Estado Islâmico e feminismo foram temas do Enem

 Exame Nacional do Ensino Médio cobrou temas atuais. Estudantes afirmam dificuldades em física neste 1º dia do exame
Reprodução
Alguns candidatos foram surpreendidos no começo da tarde deste sábado com suspensão de última hora dos locais de prova pelo governo federal

Por: Folha de S.Paulo

Pouco depois das 16h deste sábado (6) os candidatos começaram a sair dos locais de prova do Enem. De acordo com os primeiros a deixarem o prédio da Uninove, na zona oeste de São Paulo, a prova cobrou temas como crise econômica no Brasil e no mundo e a crise dos refugiados na Europa.

Candidato pela terceira vez, o estudante de Relações Internacionais Alexandre Del Rei Macedo, 19, considerou o primeiro dia de exame, este ano, “muito mais fácil” que as edições passadas. “Exatas chutei quase tudo; sou de humanas, mas gostei das questões sobre crise econômica e dos refugiados e também sobre a que tratou de representatividade da mulher”, contou.

Já a candidata Bruna Araújo, 18, achou prova de hoje difícil. Segundo ela, que fez o Enem em Alagoas, também caíram questões sobre o Estado Islâmico. “Não gostei muito, não sei se porque estudei pouco. Fé em Deus, me darei melhor na redação amanhã, que estou mais preparada.”

Danielle Ribeiro, 18, também teve dificuldades na prova. “Química estava difícil”, diz a garota que pretende usar o Enem para entrar entrar no curso de direito de alguma universidade. Ela afirma que reparou em questões relacionadas a mulheres.

Felipe Rodolpho, 17, mencionou questões ligadas ao feminismo. “Tinha uma questão com uma mulher vestida de astronauta”, afirma.

Rodolpho, que fez a prova só para testar conhecimentos, diz que o teste estava fácil. “Teve bastante questão de escravidão também”, diz. No próximo ano ele pretende prestar nove vestibulares para Medicina.

Beatriz Nassif, 18, também cita a questão sobre a mulher no espaço. “Pedia para discutir uma propaganda falando que a lua ficaria mais limpa com a presença de mulheres”.

A garota quer fazer uma faculdade de engenharia de materiais. Ela fala também sobre questões relacionadas a refugiados. “De como a Bulgária está construindo um muro.”

Beatriz sente que a prova seguiu o padrão de dificuldade de outros anos, mas que houve algumas mudanças. “Não é mais só análise. Exigiu bastante conteúdo.”

Duveus Mauriu, 30, é haitiano e está no Brasil há dois anos. Morador de Porto Alegre, com a mulher e seus dois filhos, ele está fazendo o Enem de olho em alguma vaga para o curso de administração.

“Particular ou pública, o que der”, conta ele, sobre a escolha de uma universidade. Auxiliar técnico em uma associação de crianças com necessidades especiais, Mauriu avalia que foi bem na prova, exceto por um detalhe: “Senti muita dificuldade em História do Brasil, que não sei muito”, conta, tímido.

A estudante Ana Júlia Soares, 14, aluna do 9º ano do fundamental fez a prova como treineira em São Paulo.”Em física, predominaram as questões de som e ondas; em química, elementos químicos. Gostei da prova”, disse.

Shakespeare e ditadura no Brasil também foram assuntos relatados pelos alunos.

Surpresos


Alguns candidatos foram surpreendidos no começo da tarde deste sábado com suspensão de última hora dos locais de prova pelo governo federal devido às ocupações de escolas por estudantes.

Segundo nova lista divulgada pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) durante a manhã, o número de locais de prova ocupados passou de 364 para 405. Isso fez com que o número de candidatos que tiveram a prova do Enem adiadas para dezembro subisse de 240 para 271 mil.

Nos locais em que a prova aconteceu, como em anos anteriores, o dia foi marcado, em parte, pela corrida de última hora dos atrasados e o medo de virar piada na internet.

No Distrito Federal, o Governo assumiu que errou ao realizar o exame em uma escola que havia sido incluída na lista de locais em que a prova seria adiada.
 

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