05 junho 2016

Reforma eleitoral beneficiará quem tem bom Recall, mandato e jogará a classe política na criminalidade

A sanha alimentada pela esquerda e pela direita por uma tal de Reforma Política,

sempre presente em momentos de crise, criou um mundo pior do que o imaginado.

SEM TEMPO PARA FAZER CAMPANHA

Estamos há quatro meses da eleição e o debate sobre os problemas da cidade vive

estiagem inigualável. A eleição só acontecerá, de fato, há 45 dias da ida até a urna.

A propaganda eleitoral no Rádio e Tv só terá 35 dias. O encurtamento, além de

péssimo para a construção de uma agenda para o município e impedir que o eleitor

seja efetivamente informado, beneficia nitidamente quem já é conhecido e tem

mandato. A competição, enfim, ficará prejudicada.

Na primeira pesquisa que fiz no início de 2014 no RN o número que mais chamou

atenção não foi o que mostrava, ao contrário do que diziam os demais institutos,

Fátima Bezerra já empatada com Wilma de Faria na corrida pelo senado. Foi o dado

de que a então deputada federal do PT não era conhecida ainda por quase 15% dos

eleitores. Ora, Fátima já tinha mais de 20 anos de política. Ainda assim, 15% do

eleitorado não sabia quem era a deputada.

Acho que a comparação serve para entender o desserviço que representa reduzir o

tempo de eleição para 45 dias e o de propaganda no rádio e tv para 35. Quem tem

máquina e bom recall partirá com forte vantagem. A competição ficará prejudicada.

FIM DO FINANCIAMENTO EMPRESARIAL

No campo dos gastos, outra leitura apressada criará problemas futuros. Erguemos

uma forma de financiamento eleitoral completamente irrealista que irá explodir o

caixa 2 (empresas, sindicatos e até Organizações Sociais pagarão os serviços de

campanha "por fora" em maior proporção pela ausência de permissão e para não

baterem o teto), beneficiará quem já tem máquina na mão e entupirá os tribunais no

"terceiro tempo", permitindo aqueles com mais recursos de fiscalização do oponente

de produzirem provas contra terceiros e cassarem mandatos legítimos.

Foi jogada no lixo a interessante mudança na legislação em 2014, que obrigava a

identificação pelos partidos sobre qual foi o candidato que efetivamente recebeu a

contribuição. Antes, as agremiações não precisavam descrever quem foi beneficiado

internamente pelos recursos doados por terceiros. O conhecimento dos números foi

relevante para maior lisura e municiou a operação Lava Jato.

Cobram algo da classe política que ela não tem como efetivar por um marco

regulatório completamente despido de factualidade. Após o pleito, depois de toda a

patacoada, quando as operações policiais se multiplicarem, terá sempre aquele

alguém para dizer: tá vendo, todo político é ladrão.

A emenda sairá pior do que a encomenda.


Fonte: Portal o Potyguar

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